Inventário de estoque é a contagem física de tudo o que a empresa tem armazenado, com o objetivo de apurar o saldo real por item. Parece simples, e é justamente por isso que tanta gente erra: a contagem em si é a parte fácil. O que decide se o número serve para alguma coisa é o que se faz antes e depois dela.
O que é inventário de estoque
É o levantamento físico dos itens em estoque numa data determinada, item a item, para apurar quantidade e valor. O resultado alimenta três coisas ao mesmo tempo: a gestão da operação, o balanço da empresa e a declaração que vai ao Fisco.
É por servir a esses três destinos que o inventário não pode ser tratado como tarefa de almoxarifado. O mesmo número que orienta a próxima compra vai compor o custo das mercadorias vendidas e vai ser declarado à Receita.
Inventário ou auditoria de estoque?
Os dois termos são usados como sinônimos e não são. O inventário responde quanto eu tenho. A auditoria pega essa contagem, compara com a contabilidade e com o sistema, investiga por que os números não batem e recomenda o que corrigir.
Dito de outro jeito: o inventário é a matéria-prima da auditoria. Detalhamos a diferença em o que é auditoria de estoque.
Os tipos de inventário
| Tipo | Como funciona |
|---|---|
| Geral (ou periódico) | Contagem completa numa data fixa, normalmente no fechamento do exercício |
| Rotativo (ou cíclico) | Contagens parciais e recorrentes, distribuídas ao longo do ano |
| Permanente | Acompanhamento contínuo por sistema, com conferências pontuais |
| Por amostragem | Verificação de um subconjunto, para diagnóstico e não para fechamento |
O inventário geral é o que sustenta o balanço. O rotativo é o que evita chegar nele com surpresa — tratamos dele em inventário rotativo.
O passo a passo
1. Preparação
Antes de contar qualquer coisa: revisar o cadastro de produtos para eliminar duplicidade e corrigir unidade de medida, definir o endereçamento do estoque, separar fisicamente o que não deve ser contado (mercadoria de terceiros, itens em consignação, material de uso e consumo) e lançar todos os documentos pendentes.
É a etapa mais chata e a que mais determina o resultado. Contagem feita sobre cadastro sujo produz um saldo que ninguém consegue conciliar depois.
2. Corte de data
Fixar um instante e garantir que nada se mova até a contagem terminar. Quando parar a operação não é possível, a alternativa é segregar o que chegou depois do corte e registrar cada movimentação ocorrida durante a contagem, para reconciliar em seguida.
O erro mais caro do inventário: contar com a mercadoria entrando e saindo. O número resultante não corresponde a momento nenhum — nem ao início, nem ao fim da contagem. E, diferente de um erro de digitação, esse não dá para localizar depois.
3. Contagem
Contagem física com rastreabilidade, de preferência cega — sem que quem conta veja o saldo do sistema. Em itens de alto valor, vale a dupla contagem por equipes diferentes. Explicamos o método em contagem cega.
4. Apuração das diferenças
Comparar o contado com o registrado, item a item, separando divergência em quantidade de divergência em valor. Cada diferença relevante precisa chegar a uma causa e a um documento — não a um ajuste.
5. Valoração e ajuste
Com as quantidades fechadas, o saldo é valorado e os ajustes são lançados com a devida justificativa. É aqui que o inventário vira número contábil.
Como calcular o valor do estoque
A mensuração segue o CPC 16. A regra central é que o estoque é avaliado pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido — ou seja, se a mercadoria já não vale o que custou, o estoque precisa refletir isso.
O custo inclui o preço de aquisição, impostos não recuperáveis, frete e seguro, menos descontos comerciais. Para atribuir custo aos itens, a prática brasileira admite PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) ou custo médio ponderado.
Um ponto que gera confusão: o método UEPS (último que entra, primeiro que sai) não é aceito pela legislação fiscal brasileira. Ele aparece em material didático e em software estrangeiro, mas não serve para apuração aqui.
O inventário que vai para o Fisco
O saldo apurado não fica só na empresa. Ele é declarado no Bloco H do SPED Fiscal (EFD ICMS/IPI), que registra o inventário físico do estabelecimento. Como regra geral, o inventário anual é entregue até o segundo mês seguinte ao fechamento contábil, mas o prazo é vinculado à legislação estadual do ICMS e varia entre os estados.
Empresas obrigadas ao Bloco K declaram ainda a movimentação e o consumo de produção. Na prática, isso significa que a fiscalização consegue reconstruir a movimentação esperada de cada item e comparar com o que você declarou.
Precisa que o seu inventário se sustente?
A S&B conduz a contagem com método, concilia com a contabilidade e entrega um laudo que se defende.
Solicitar uma auditoriaPerguntas frequentes
O que é inventário de estoque?
É o levantamento físico dos itens em estoque numa data determinada, item a item, para apurar quantidade e valor. O resultado alimenta a gestão, o balanço e a declaração fiscal.
Qual a diferença entre inventário e auditoria de estoque?
O inventário responde quanto existe de cada item. A auditoria pega essa contagem, compara com a contabilidade e com o sistema, investiga a origem das divergências e recomenda correções.
Como calcular o valor do estoque após o inventário?
Pelo CPC 16: o estoque é avaliado pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido. Para atribuir custo, a prática brasileira admite PEPS ou custo médio ponderado.
O método UEPS pode ser usado no Brasil?
Não para fins fiscais. O UEPS aparece em material didático e em sistemas estrangeiros, mas a legislação brasileira não o aceita na apuração.
O inventário precisa ser declarado ao Fisco?
Sim. O inventário físico é declarado no Bloco H do SPED Fiscal. Em regra, o anual é entregue até o segundo mês seguinte ao fechamento contábil, com prazo que varia conforme o estado.
Checklist: 5 perguntas antes de contratar uma auditoria de estoque
O que separa uma auditoria que vira prova de uma contagem qualquer. Vale para qualquer fornecedor.
Baixar o PDF
S&B Consultoria