O custo das mercadorias vendidas é o número que separa faturamento de lucro. A fórmula cabe numa linha e quase todo mundo conhece — mas ela depende de um valor de estoque que muita empresa não tem com precisão. E é aí que a conta certa produz um resultado errado.
A fórmula
O CMV de um período é o estoque inicial, mais as compras do período, menos o estoque final:
CMV = Estoque Inicial + Compras − Estoque Final
A lógica é direta: tudo o que você tinha, mais tudo o que comprou, menos o que sobrou, é o que saiu.
Um exemplo com números
Uma loja começa o mês com R$ 80.000 em estoque, compra R$ 120.000 ao longo do período e termina com R$ 65.000:
| Componente | Valor |
|---|---|
| Estoque inicial | R$ 80.000 |
| (+) Compras do período | R$ 120.000 |
| (−) Estoque final | R$ 65.000 |
| (=) CMV | R$ 135.000 |
Se essa loja faturou R$ 200.000 no mês, o lucro bruto é R$ 65.000 e a margem bruta é de 32,5%.
O que entra e o que não entra no custo
Entra: o preço de aquisição da mercadoria, os impostos não recuperáveis, o frete de compra e o seguro do transporte — menos os descontos comerciais obtidos.
Não entra: despesas de venda (comissão, frete de entrega ao cliente, marketing), despesas administrativas e despesas financeiras. Elas são custo do negócio, não custo da mercadoria — e vão para outras linhas da demonstração.
O erro que mais infla margem: deixar o frete de compra fora do custo. A mercadoria entra no estoque mais barata do que realmente custou, o CMV fica menor e a margem parece melhor do que é. O dinheiro saiu do caixa de qualquer jeito — ele só foi parar na linha errada.
Por que um estoque errado destrói o cálculo
Repare que dois dos três componentes da fórmula são saldos de estoque. Se eles estiverem errados, o CMV está errado — e o lucro também, na mesma proporção.
| Se o estoque final estiver... | O efeito é... |
|---|---|
| Maior do que a realidade | CMV menor, lucro inflado, imposto sobre resultado que não existiu |
| Menor do que a realidade | CMV maior, lucro reduzido, margem que não corresponde à operação |
É por isso que apurar CMV sem inventário confiável é um exercício de aritmética sobre dados imaginários. Tratamos das causas em por que o estoque não bate com a contabilidade.
CMV, custo fixo e custo variável
Confusão frequente: o CMV é um custo variável — ele cresce e diminui com o volume vendido. Custo fixo é o que a empresa paga independentemente de vender (aluguel, salários administrativos, contabilidade).
A distinção importa porque as duas famílias exigem decisões diferentes. Custo variável alto pede negociação de compra, revisão de mix e controle de perda. Custo fixo alto pede escala ou redução de estrutura. Tratar os dois com a mesma medida costuma cortar o que não devia.
Sua margem não fecha e você não sabe por quê?
A S&B apura o CMV real, produto a produto, e mostra onde o resultado está sendo perdido.
Falar com a S&BPerguntas frequentes
Como calcular o CMV?
CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final. É tudo o que você tinha, mais o que comprou, menos o que sobrou.
O que entra no custo da mercadoria vendida?
O preço de aquisição, impostos não recuperáveis, frete de compra e seguro do transporte, menos descontos comerciais. Despesas de venda e administrativas não entram.
Qual a diferença entre CMV, custo fixo e custo variável?
O CMV é um custo variável: acompanha o volume vendido. Custo fixo é o que a empresa paga independentemente de vender, como aluguel e salários administrativos.
Um erro de estoque afeta o CMV?
Diretamente. Dois dos três componentes da fórmula são saldos de estoque. Estoque final superavaliado reduz o CMV e infla o lucro; subavaliado faz o contrário.
O frete de compra entra no CMV?
Sim. O frete para trazer a mercadoria compõe o custo de aquisição. Deixá-lo de fora é um dos erros que mais inflam a margem aparente.
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